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No primeiro quartel do século XX, o sul de Angola — delimitado pelos distritos de Moçâmedes e da Huíla — afirmou-se como um território de profunda singularidade no contexto ultramarino português. Paralelamente ao desenvolvimento económico assente na pesca costeira, nas frentes agrícolas do planalto e na expansão do caminho-de-ferro, a região preservou uma das mais ricas e intactas tapeçarias etnolinguísticas do continente africano, com especial destaque para os povos do grupo Nyaneca-Khumbi, como os Mundumbas e os Mumuilas (Muila).
É neste cenário de transição que a casa comercial e editora José Pinho Trindade, Lda., sediada na cidade costeira de Moçâmedes, opera como um agente de registo documental e de memória visual. Através da produção de bilhetes postais ilustrados em colotipia, a firma imortalizou não apenas a geografia física e as frentes urbanas em consolidação, mas também a dignidade dos tipos humanos, os seus trajes, ritos, adereços e quotidianos laborais.
Esta coleção documental estuda, ao longo de 8 fólios, a representação visual e a cartofilia regional editada por Pinho Trindade. A seleção exposta sistematiza a transição entre a paisagem construída e a riqueza antropológica autóctone, culminando na análise técnica do reverso postal, cujo grafismo reflete as exigências de circulação internacional determinadas pela União Postal Universal (UPU) na época.





