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Museu de Filatelia de Portugal

📌 “Este blog integra o ecossistema: Museu de Filatelia Sérgio Pedro: Estudos, peças raras, maximafilia, marcofilia e história postal.

domingo, 30 de agosto de 2026

Livro Pré-Filatelia Portuguesa – Marcas Postais utilizadas em Portugal Continental na época pré-adesiva (1799-1853)

 


O Museu de Filatelia Sérgio Pedro enriqueceu recentemente a sua biblioteca com a aquisição de um exemplar numerado (32) e assinado da obra Pré-Filatelia Portuguesa – Marcas Postais utilizadas em Portugal Continental na época pré-adesiva (1799-1853). Escrito por Luís Brito Frazão FRPSL, um reputado investigador em História Postal, este livro de capa rija é uma obra de referência fundamental e de elevado rigor científico para o estudo da marcofilia e da história postal de Portugal

Publicada em Setembro de 2012 pela editora Branca de Brito Suc.ª, Lda., a obra teve uma tiragem limitada de 500 exemplares (dos quais 100 foram numerados e assinados pelo autor). Apresenta-se num formato de 240x270mm e conta com 620 páginas (um aumento significativo face às 295 páginas das edições passadas).

Abaixo encontra-se uma apresentação detalhada dos aspetos estruturais, históricos e técnicos que definem este livro:

1. Enquadramento Histórico e Origem do Estudo

O período de 1799 a 1853 delimita a era pré-adesiva em Portugal, ou seja, o tempo que antecede a introdução do selos postais adesivos no país.

  • O Marco Inicial (1799): A razão de ser deste trabalho recua ao Artigo XVII das "Instruções Praticas para os Correios Assistentes", de 6 de Junho de 1799, emitido pelo Superintendente Geral dos Correios, o Desembargador José Diogo Mascarenhas Neto. Este artigo determinava que as cartas deveriam ser pesadas, taxadas e marcadas com o nome da terra onde eram lançadas.
  • Evolução da Obra: Este livro é já o terceiro tratado sobre o tema. Sucede a duas edições anteriores intituladas "Marcas Postais Pré-adesivas de Portugal": a primeira, editada pela Federação Portuguesa de Filatelia em 1978 (da autoria de Guedes de Magalhães e Andrade e Sousa); e a segunda, publicada em 1989 pelo Núcleo Filatélico do Ateneu Comercial do Porto (com a colaboração de M. Andrade e Sousa). Após mais de 20 anos, o autor reestruturou, corrigiu e expandiu significativamente a informação anterior.

2. Principais Inovações e Estrutura Técnica

Esta edição introduziu diversas inovações metodológicas de grande utilidade para colecionadores e investigadores:

  • Divisão Geográfica por Distritos Postais: O território de Portugal Continental é ordenado de Norte para Sul em distritos postais (Trás-os-Montes, Entre Douro e Minho, Porto, Beiras, Estremadura, Lisboa, Alentejo e Algarve). Dentro de cada distrito, os correios estão organizados alfabeticamente.
  • Imagens Digitalizadas em Cores Reais: Os desenhos que ilustravam as marcas nas edições anteriores (muitos deles concebidos pelo desenhador Eduardo Silva) foram substituídos por imagens digitalizadas coloridas, capturadas diretamente das cartas originais, mostrando as marcas no seu estado real.
  • Escala de Raridade Rigorosa: Adota-se uma classificação de raridade de 1 a 10 (onde 1 representa marcas "Muito comuns", com mais de 100 exemplares conhecidos, e 10 indica marcas "Extraordinariamente raras", das quais se conhecem apenas 1 ou 2 exemplares).
  • Geografia Postal e Distâncias: Cada distrito postal abre com o mapa correspondente de 1818. A obra incorpora as distâncias (em léguas) baseadas no Mappa de 1801 e no Mappa de 1818, determinantes para justificar a aplicação de portes nas cartas.
  • Fichas de Correio Estruturadas: Cada posto de correio é detalhado segundo quatro categorias: carimbos nominais, selos fixos (marcas de porte impressas), porte pago e marcas de seguro.
  • Nota: As marcas das ilhas adjacentes (Açores e Madeira) e dos correios ultramarinos foram remetidas para uma publicação separada.

3. Tipologia das Marcas Postais Analisadas

A obra oferece definições rigorosas das marcas impressas ou manuscritas aplicadas na correspondência:

  • Marcas de Origem: Marcas lineares na frente da carta que identificam a cidade ou povoação onde a correspondência foi depositada.
  • Marcas de Seguro: Aplicadas nas cartas enviadas sob o registo e seguro do Correio (com taxa de seguro de 240 réis), garantindo maior controlo no transporte.
  • Marcas de Franquia ou de Porte Pago: Utilizadas quando o porte era pago pelo remetente na origem, assinaladas por termos como "Franca", "Franqueada" ou "Pg".
  • Correspondência de Serviço Oficial: Missivas de autoridades públicas identificadas com marcas como "R.S.", "S.R." ou "S.N.R." (Serviço de Sua Majestade), isentas de porte.
  • Marcas de Chegada, Porte e Diversas: Inclui marcas com data de chegada (introduzidas em Lisboa em 1821), marcas precursoras dos selos postais (marcas de porte) e marcas administrativas diversas, incluindo as aplicadas sob administração militar estrangeira (como a do agente postal britânico).

4. Cores de Tinta e Marcas Manuscritas

  • Tintas e Cores: Distingue-se o uso de tintas de óleo (T.O.) e tintas de escrever à base de água (T.E.) nas almofadas dos carimbos. As cores catalogadas incluem o preto, vermelho, verde, azul e sépia. Destaca-se a curiosidade de que o uso de certas cores esteve por vezes associado a momentos políticos, como o vermelho utilizado no final dos anos 20 e início da década de 30 por correios partidários da causa absolutista.
  • Marcas Albinas: Registo das raras marcas que eram aplicadas sem tinta, deixando apenas um relevo seco no papel (como as de Alter e Ruivães).
  • Indicações Manuscritas: Detalham-se as marcações caligráficas que substituíam as marcas impressas quando os cunhos metálicos ou de madeira se encontravam gastos ou indisponíveis.

5. Enquadramento Histórico e Apelo ao Leitor

A marcofilia deste período reflete os acontecimentos marcantes da história de Portugal, como as Invasões Francesas (1807–1810), a Revolução Liberal (1820), a Guerra Civil (1830–1834) e a Patuleia (1847), que afetaram profundamente a administração dos correios e a raridade das peças.

A obra inclui ainda uma detalhada secção bibliográfica e agradecimentos a grandes vultos do colecionamento nacional (como Manuel Andrade e Sousa, Alexandre Guedes de Magalhães, Dr. António Fragoso e Hernâni Santos Viegas). Termina com um "Apelo ao Leitor", convidando colecionadores de todo o país a partilharem novos achados (datas extremas, cores ou marcas desconhecidas) para complementar e dar rigor contínuo a este ramo de estudo.

 


A palavra e a imagem: 50 episódios bíblicos através de obras-primas da arte portuguesa Clube do Coleccionador dos Correios (© CTT Correios de Portugal)


Apresentação da Obra: A palavra e a imagem

O Livro e o seu Propósito "A palavra e a imagem: 50 episódios bíblicos através de obras-primas da arte portuguesa" é uma obra da autoria de Paulo Mendes Pinto. O livro propõe uma profunda viagem interpretativa — teológica, antropológica e artística — pelo papel das imagens religiosas na cultura ocidental e, em particular, na tradição católica portuguesa. Longe de serem meras decorações, as imagens são analisadas como "Bíblias dos simples", servindo como pontes para a catequese e para uma experiência espiritual imersiva e mística, em tempos em que a maioria da população não sabia ler e o acesso ao texto bíblico em português era escasso.

 

Dados de Publicação

  • Título: A palavra e a imagem — 50 episódios bíblicos através de obras-primas da arte portuguesa
  • Autor: Paulo Mendes Pinto
  • Editor: Clube do Coleccionador dos Correios (© CTT Correios de Portugal)
  • Design: Folk Design (Sofia Martins / Vasco Marques)
  • Data de Edição: Fevereiro de 2012
  • ISBN: 978-972-8968-43-4
  • Depósito Legal: 337 145/11
  • Tiragem e Autenticidade: Edição especial e numerada, limitada a 5000 exemplares. Este exemplar específico está registado e marcado com o número 2943.

 

Estrutura e Índice da Obra

A obra organiza a sua análise de forma cronológica e temática ao longo de 172 páginas, dividida em três grandes secções:

  1. Introdução: As imagens religiosas: funções e sentidos (Pág. 10) Enquadramento teórico que discute conceitos fundamentais divididos em subtemas como: A Imagem como Teologia, A Indefinição sobre a Natureza das Imagens, A Imagem enquanto Experiência Religiosa, A Imagem como Catequese e A Noção de "Bíblico" para além da Bíblia.
  2. Antigo Testamento (Págs. 18 a 86) Percorre 22 episódios marcantes, iniciando-se em "A Criação dos Animais" (pág. 18) e "A Criação de Adão" (pág. 20), avançando por momentos-chave do Pentateuco e dos livros históricos — como as passagens de Moisés e Jacob — até terminar na história de "Ester" (pág. 86).
  3. Novo Testamento (Págs. 90 a 172) Compreende 28 episódios, começando pela representação messiânica da "Árvore de Jessé" (pág. 90), os ciclos da infância e ministério de Cristo, os acontecimentos da Paixão e Morte (como a "Última Ceia" na pág. 133 e a "Crucificação" na pág. 152), culminando com o "Pentecostes" (pág. 170) e a "Ascensão de Cristo" (pág. 172).

 

A Emissão Filatélica Exclusiva

Por se tratar de uma edição especial dos CTT, este livro-objeto traz integrada a emissão filatélica oficial de 2012 sob o mesmo tema, composta por:

  • 4 Selos Individuais, ilustrados com obras de arte religiosa nacional:
    • Criação de Eva (Taxa: 0,47 €)
    • Moisés no Deserto — A Apanha do Maná (Taxa: 0,68 €)
    • Adoração dos Reis Magos (Taxa: 0,80 €)
    • Última Ceia (Taxa: 1,00 €)
  • 2 Blocos Filatélicos, que integram selos de maior formato envolvidos por reproduções de obras de arte completas:
    • Bloco com o selo de Pentecostes (Taxa: 1,50 €)
    • Bloco com o selo da Paixão de Cristo (Taxa: 1,50 €), onde se encontra impresso o número de série deste exemplar específico (02943)

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

The Stoneham Catalogue of British Stamps – 1840-1980 (1981 Edition)


1. Introdução: O Legado de John Tracy e a Inovação da 4ª Edição

Na preservação da memória filatélica, os catálogos especializados funcionam como repositórios de conhecimento técnico e cronistas da evolução de uma disciplina. Esta curadoria propõe uma análise do The Stoneham Catalogue of British Stamps – 1840-1980 (1981 Edition), que se afirmou como uma peça central na literatura postal da sua época. Publicada em setembro de 1980 sob a edição meticulosa de John Tracy, esta 4ª Edição apresenta-se, nas palavras do próprio editor, "vestida de forma diferente", com um novo design de capa que visava modernizar o seu apelo sem sacrificar o rigor.

A obra abrange o período fundamental de 1840 a 1980, detalhando as emissões da Grã-Bretanha e das dependências da Coroa: JerseyGuernsey e a Ilha de Man. Uma das maiores inovações desta edição foi a inclusão de uma secção inédita dedicada às Cadernetas de G.B. (Booklets), listando conteúdos e ilustrando os diversos tipos de capas. Esta adição transformou o catálogo num auxílio abrangente para os especialistas, refletindo a crescente popularidade deste segmento e consolidando a obra como um "trabalho padrão" que não se limitava a atualizar preços, mas a definir parâmetros de colecionismo.

2. O Mercado Filatélico em 1980: O Colecionismo como Refúgio

A filatelia demonstra uma resiliência notável como ativo de refúgio e passatempo terapêutico. Na secção “Market Movements”, o catálogo contextualiza um cenário de inflação mundial e taxas de juro elevadíssimas. Contudo, em vez de um declínio, observou-se uma reação psicológica profunda: perante as realidades sombrias do quotidiano, os indivíduos procuraram "escapar" através deste passatempo absorvente. Este dinamismo foi validado pela exposição mundial LONDON 1980, que recebeu mais de 100.000 visitantes, marcando o "Ano do Colecionador".

O catálogo destaca que, embora a especulação tenha arrefecido, a procura por material de alta qualidade da era vitoriana tornou-se mais competitiva, dada a sua escassez. Simultaneamente, a secção da Rainha Isabel II (Q.E. II) gerou um interesse renovado, impulsionado por emissões experimentais, cadernetas de vida curta e folhas miniatura. Galardoado com medalhas na LONDON 1980 e na B.P.E. 1979, o Stoneham estabeleceu-se como um manual de sobrevivência, defendendo que a base de uma coleção sólida reside na compreensão pedagógica da qualidade e na defesa contra a fraude.

3. Ferramentas de Proteção e Rigor Técnico: "Be on your Guard!"

Para o filatelista erudito, a perícia técnica transforma o ato de colecionar numa disciplina quase científica de análise. O catálogo, sob o lema "Be on your Guard!", fornece as diretrizes necessárias para navegar num mercado onde a raridade atrai a falsificação.

Defesa Contra Falsificações e Conservação

Na secção “Fakes and Repairs”, sistematizam-se métodos essenciais de deteção:

  • Imersão em Ronsonol: Método eficaz para detetar o re-backing (reforço do papel), revelando linhas de espessamento no fluido.
  • Luz Ultravioleta (U.V.): Imprescindível para identificar resíduos de colas modernas, limpezas químicas e, crucialmente, a remoção de cancelamentos fiscais (fiscal cancellations) em selos de alto valor, muitas vezes disfarçados para parecerem exemplares postais mais valiosos.
  • Lente de Aumento: Ferramenta para verificar denteações alteradas (re-perfing) e a integridade do papel.

O rigor estende-se às condições de conservação. O catálogo distingue claramente as exigências para emissões Não Denteadas (Imperforate), que devem apresentar pelo menos quatro margens claras, e as Denteadas (Perforate), onde se exige que o selo esteja bem centrado e com o picotado ou perfuração completo, sem defeitos.

A Anatomia de Vitória (Die I vs. Die II)

O estudo dos cunhos (Dies) nos selos de linha gravada da Rainha Vitória exemplifica a profundidade da obra. Para distinguir o Die II do Die I, o especialista deve observar:

  1. As Pedras da Coroa: No Die II, as pedras têm formato de diamante e não redondo.
  2. Sombreado das Pálpebras: A pálpebra inferior no Die II consiste em linhas definidas e não em pontos.
  3. Perfil do Nariz: Apresenta-se mais aquilino no segundo cunho.
  4. Expressão da Boca: O lábio superior é mais longo e a expressão mais firme no Die II.
  5. Contorno do Queixo: O queixo foi integralmente redesenhado (redrawn), apresentando um contorno mais nítido e uma definição superior.

Alfabetos e Marcas de Água: A Marca do Especialista

A complexidade das letras de canto nos selos gravados (como o Penny Black) é detalhada através dos Alfabetos I a IV. Enquanto os três primeiros usavam letras puncionadas, o Alfabeto IV destaca-se por ser gravado à mão. Para o curador sénior, o facto de o Alfabeto IV ter sido utilizado nas experimentais Chapas 50 e 51 é um detalhe de numeração vital para a correta classificação de raridades.

Quanto às Marcas de Água (Watermarks), o catálogo ilustra tipos icónicos como Small GarterEmblemsSprayOrb e, fundamentalmente, a Imperial Crown. Nas emissões em relevo (Embossed), destaca-se o uso dos fios de seda Dickinson e a marca de água específica "VR" presente no valor de 6d, elementos que conferem a estes selos uma identidade técnica única.

4. Conclusão: O Valor Histórico da Literatura Filatélica

Revisitar o catálogo Stoneham de 1981 é um exercício de valorização dos fundamentos da nossa disciplina. Embora as cotações de mercado pertençam ao passado, as lições sobre qualidade, identificação de marcas de água e deteção de fraudes permanecem perenes, constituindo a base da filatelia moderna.

Esta obra é um testemunho do dinamismo da década de 80 e do esforço de editores como John Tracy em elevar o colecionismo a um padrão de excelência técnica. No contexto de um museu nacional, a literatura postal como esta é a espinha dorsal que sustenta qualquer coleção, transformando o objeto postal de um simples fragmento de papel num documento histórico de valor incalculável.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Quando o Algarve se Revelou ao Mundo (Anos 60-70) - Coleção de José Belchior

 

Síntese Documental: Quando o Algarve se Revelou ao Mundo (Anos 60-70)
Esta coleção de postais ilustrados foca-se na abertura do Algarve ao turismo internacional nas décadas de 1960 e 1970, equilibrando a promoção das suas praias icónicas com a preservação da identidade rural e piscatória da região.
Proveniência e Contexto
  • Colecionador: José Manuel Antonino Belchior.
  • Cronologia: Décadas de 1960 e 1970.
  • Temática: O despertar do turismo algarvio, o património arquitetónico e as vivências tradicionais do povo campineiro e marítimo.
Categorias e Elementos Visuais da Coleção
1. Ícones da Identidade e Arquitetura Algarvia
  • Suportes Especiais: Postais impressos em cortiça natural com gravuras de figuras locais (mulher em burro de carga) e monumentos.
  • Chaminés Algarvias: Painéis fotográficos dedicados exclusivamente ao detalhe rendilhado e típico das chaminés da região, um dos maiores símbolos arquitetónicos locais.
  • Amendoeiras em Flor: Imagens que retratam o inverno algarvio, com caminhos rurais ladeados pelo manto branco e rosa das amendoeiras.
2. Paisagem Costeira e Turismo
  • Formações Rochosas: Vistas aéreas e panorâmicas das arribas, algares e falésias douradas esculpidas pelo mar.
  • Praias e Pores do Sol: Registos das praias de areia fina já com os primeiros banhistas e silhuetas marítimas ao entardecer.
3. Vida Rural, Ofícios e Etnografia
  • Trabalho Agrícola: Cenas que capturam a apanha do figo, a secagem manual dos frutos ao sol, as ceifas, a apanha do milho e a colheita da laranja algarvia.
  • Cenas do Quotidiano: Mulheres a lavar roupa na ribeira, a fiação de vimes para cestaria e o abastecimento de água em poços e picotas tradicionais com burros de carga.
  • Trajes Típicos: Postais ilustrados com trajes tradicionais da "Camponeza" de Faro, com detalhes texturizados no próprio postal.
4. A Labuta do Mar e Tradição Piscatória
  • Arte Xávega e Pesca: Pescadores na praia a puxar as redes do mar e a lançar as embarcações de madeira contra a ondulação.
  • Lota e Comércio: O ambiente da venda de peixe na praia após a chegada dos barcos, com a presença de compradores locais e turistas (com referências visuais à Vila de Loulé/Quarteira).
5. Ilustrações Artísticas de Júlio Amaro
A coleção inclui uma série de postais com desenhos à linha (a preto e branco) do artista Júlio Amaro, que imortalizam:
  • Ruas típicas com habitações de soco algarvio e igrejas locais.
  • A "Apanha da Batata" nos campos do Algarve.
  • Pescadores na praia a remendar as redes junto às embarcações.


As Aguarelas de Roque Gameiro em Inteiros Postais - Coleção Portuguesa (1921) - Coleção de José Manuel Antonino Belchior

 

Síntese Documental: As Aguarelas de Roque Gameiro em Inteiros Postais
Esta síntese reúne as vertentes técnica, artística e de proveniência histórica com base no catálogo da "Colecção Portuguêsa", editada em 1921.
Proveniência e Colecionador
O presente exemplar e o espólio documental deste catálogo pertencem a José Manuel Antonino Belchior. A sua marca de posse figura na página de rosto, atestando a preservação deste património filatélico e etnográfico, que inclui exemplares manuscritos e circulados na década de 1920.
Ficha Técnica da Emissão
  • Ano de Emissão: 1921.
  • Editor: Firma Paulo Guedes (Arco do Bandeira, 76 - Lisboa).
  • Constituição: Série completa de 12 bilhetes postais ilustrados.
  • Franquia Postal: Selo pré-impresso com a efígie da "Céres", taxa de $06 (rosa malva).
  • Custo de Época: $15 (já com a franquia incluída).
O Autor: Alfredo Roque Gameiro (1864–1935)
Natural de Minde, iniciou a sua carreira aos 10 anos como aprendiz de litografia, tendo aperfeiçoado os seus conhecimentos técnicos em Leipzig, na Alemanha. Foi seduzido pela técnica da aguarela sob a tutela do pintor Henrique Casanova, alcançando uma notoriedade singular numa especialidade até então pouco valorizada em Portugal. Destacou-se como um exímio ilustrador de obras literárias, históricas e etnográficas, capturando a essência dos tipos populares e das paisagens do país.
Conteúdo e Temática dos 12 Postais
A coleção divide-se entre composições de cariz patriótico e representações vivas do quotidiano, trajes e ofícios das várias regiões portuguesas:

  1. Evocação do Passado: Alegoria patriótica com uma figura feminina empunhando a bandeira nacional junto a uma arquitetura monumental.
  2. Portugal na Guerra: Imagem comemorativa e patriótica alusiva ao contexto militar da época.
  3. Ribatejo: Cena rural com campinos a cavalo a conduzirem o gado pelas águas.
  4. Cascata de Quinta - Óbidos: Representação de um recanto arquitetónico e ornamental ajardinado.
  5. O Levantar das Redes, Nazaré: Pescadores na praia na labuta do mar (exemplo de postal circulado em 1924 via Entroncamento).
  6. Ílhavos: Mulheres e homens com trajes típicos da Região de Aveiro (exemplo de postal circulado em 1920 para o Porto).
  7. Cosinha Rústica: Interior de uma habitação tradicional com uma mulher sentada junto à grande lareira de fogueira.
  8. Damaia: Retrato do quotidiano saloio na atual freguesia da Amadora, com figuras e animais de carga.
  9. Lavadeiras (Penacova): Grupo de mulheres a lavarem a roupa na margem do rio Mondego, em Coimbra.
  10. Ovarinas: As tradicionais peixeiras originárias de Ovar que se fixaram e marcaram o comércio de rua em Lisboa.
  11. Entrada de Óbidos: Vista da emblemática Porta da Vila, com os seus painéis de azulejos e figuras da época.
  12. A Compra do Peixe (Lisboa): Cena do comércio quotidiano de peixe na zona ribeirinha da capital.