O Museu de Filatelia Sérgio Pedro enriqueceu recentemente a sua biblioteca
com a aquisição de um exemplar numerado (32) e assinado da obra Pré-Filatelia
Portuguesa – Marcas Postais utilizadas em Portugal Continental na época
pré-adesiva (1799-1853). Escrito por Luís Brito Frazão FRPSL, um
reputado investigador em História Postal, este livro de capa rija é uma obra de
referência fundamental e de elevado rigor científico para o estudo da
marcofilia e da história postal de Portugal
Publicada em Setembro de 2012 pela editora Branca de Brito Suc.ª, Lda., a
obra teve uma tiragem limitada de 500 exemplares (dos quais 100 foram numerados
e assinados pelo autor). Apresenta-se num formato de 240x270mm e conta com 620
páginas (um aumento significativo face às 295 páginas das edições passadas).
Abaixo encontra-se uma apresentação detalhada dos aspetos estruturais,
históricos e técnicos que definem este livro:
1. Enquadramento Histórico e Origem do Estudo
O período de 1799 a 1853 delimita a era pré-adesiva em Portugal, ou seja, o
tempo que antecede a introdução do selos postais adesivos no país.
- O
Marco Inicial (1799): A razão de ser deste trabalho recua ao Artigo XVII das
"Instruções Praticas para os Correios Assistentes", de 6 de
Junho de 1799, emitido pelo Superintendente Geral dos Correios, o
Desembargador José Diogo Mascarenhas Neto. Este artigo determinava que as
cartas deveriam ser pesadas, taxadas e marcadas com o nome da terra onde
eram lançadas.
- Evolução
da Obra: Este livro
é já o terceiro tratado sobre o tema. Sucede a duas edições anteriores
intituladas "Marcas Postais Pré-adesivas de Portugal": a
primeira, editada pela Federação Portuguesa de Filatelia em 1978 (da
autoria de Guedes de Magalhães e Andrade e Sousa); e a segunda, publicada
em 1989 pelo Núcleo Filatélico do Ateneu Comercial do Porto (com a
colaboração de M. Andrade e Sousa). Após mais de 20 anos, o autor
reestruturou, corrigiu e expandiu significativamente a informação
anterior.
2. Principais Inovações e Estrutura Técnica
Esta edição introduziu diversas inovações metodológicas de grande utilidade
para colecionadores e investigadores:
- Divisão
Geográfica por Distritos Postais: O território de Portugal Continental é
ordenado de Norte para Sul em distritos postais (Trás-os-Montes, Entre
Douro e Minho, Porto, Beiras, Estremadura, Lisboa, Alentejo e Algarve). Dentro
de cada distrito, os correios estão organizados alfabeticamente.
- Imagens
Digitalizadas em Cores Reais: Os desenhos que ilustravam as marcas nas edições anteriores (muitos
deles concebidos pelo desenhador Eduardo Silva) foram substituídos por
imagens digitalizadas coloridas, capturadas diretamente das cartas
originais, mostrando as marcas no seu estado real.
- Escala
de Raridade Rigorosa: Adota-se uma classificação de raridade de 1 a 10 (onde 1 representa
marcas "Muito comuns", com mais de 100 exemplares conhecidos, e
10 indica marcas "Extraordinariamente raras", das quais se
conhecem apenas 1 ou 2 exemplares).
- Geografia
Postal e Distâncias: Cada distrito postal abre com o mapa correspondente de 1818. A obra
incorpora as distâncias (em léguas) baseadas no Mappa de 1801 e no Mappa
de 1818, determinantes para justificar a aplicação de portes nas cartas.
- Fichas
de Correio Estruturadas: Cada posto de correio é detalhado segundo quatro categorias: carimbos
nominais, selos fixos (marcas de porte impressas), porte pago e marcas de
seguro.
- Nota: As marcas das ilhas adjacentes
(Açores e Madeira) e dos correios ultramarinos foram remetidas para uma
publicação separada.
3. Tipologia das Marcas Postais Analisadas
A obra oferece definições rigorosas das marcas impressas ou manuscritas
aplicadas na correspondência:
- Marcas
de Origem: Marcas
lineares na frente da carta que identificam a cidade ou povoação onde a
correspondência foi depositada.
- Marcas
de Seguro: Aplicadas
nas cartas enviadas sob o registo e seguro do Correio (com taxa de seguro
de 240 réis), garantindo maior controlo no transporte.
- Marcas
de Franquia ou de Porte Pago: Utilizadas quando o porte era pago pelo remetente na origem,
assinaladas por termos como "Franca", "Franqueada" ou
"Pg".
- Correspondência
de Serviço Oficial:
Missivas de autoridades públicas identificadas com marcas como
"R.S.", "S.R." ou "S.N.R." (Serviço de Sua
Majestade), isentas de porte.
- Marcas
de Chegada, Porte e Diversas: Inclui marcas com data de chegada (introduzidas em Lisboa em 1821),
marcas precursoras dos selos postais (marcas de porte) e marcas
administrativas diversas, incluindo as aplicadas sob administração militar
estrangeira (como a do agente postal britânico).
4. Cores de Tinta e Marcas Manuscritas
- Tintas
e Cores: Distingue-se
o uso de tintas de óleo (T.O.) e tintas de escrever à base de água (T.E.)
nas almofadas dos carimbos. As cores catalogadas incluem o preto,
vermelho, verde, azul e sépia. Destaca-se a curiosidade de que o uso de
certas cores esteve por vezes associado a momentos políticos, como o
vermelho utilizado no final dos anos 20 e início da década de 30 por
correios partidários da causa absolutista.
- Marcas
Albinas: Registo das
raras marcas que eram aplicadas sem tinta, deixando apenas um relevo seco
no papel (como as de Alter e Ruivães).
- Indicações
Manuscritas:
Detalham-se as marcações caligráficas que substituíam as marcas impressas
quando os cunhos metálicos ou de madeira se encontravam gastos ou
indisponíveis.
5. Enquadramento Histórico e Apelo ao Leitor
A marcofilia deste período reflete os acontecimentos marcantes da história
de Portugal, como as Invasões Francesas (1807–1810), a Revolução Liberal
(1820), a Guerra Civil (1830–1834) e a Patuleia (1847), que afetaram
profundamente a administração dos correios e a raridade das peças.
A obra inclui ainda uma detalhada secção bibliográfica e agradecimentos a
grandes vultos do colecionamento nacional (como Manuel Andrade e Sousa,
Alexandre Guedes de Magalhães, Dr. António Fragoso e Hernâni Santos Viegas).
Termina com um "Apelo ao Leitor", convidando colecionadores de todo o
país a partilharem novos achados (datas extremas, cores ou marcas
desconhecidas) para complementar e dar rigor contínuo a este ramo de estudo.

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